Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.
"Clarice Lispector"
Como disse Lispector, saudade é uma das maiores urgências humanas, inevitável, trivial, necessária, contraditória, simples e complexa, parte do ato de viver, talvez a parte mais saborosa, pois é na saudade que damos valor, não só ao elemento causador desta, mas a nós mesmos e a todos os sentimentos que temos, por vezes somos tão superficiais que quando somos sucumbidos pela saudade nos sentimos frágeis, porém, acima disso nos sentimos nós mesmos, estamos em uma época em que todos dirão - é carnaval e as mascaras caem - entretanto é nesta época que as mascaras se formam, delineando assim o próprio rosto, espelho dos sentimentos, de nossa saudade.
Quando somos nós mesmos não precisamos nos desculpar, porque poderemos perder a rumo algumas vezes, mas seremos nossa própria razão de caminhar, nos preocupando com cada detalhe, afinal é a nossa vida e queremos que um final feliz nos espere la na frente.
Um final feliz, será ele possível? Provavelmente, mas ele sempre vira acompanhado da sensação de ter ultrapassado várias etapas, de ter vencido e caminhado, sensação esta que nos deixa na boca um leve gosto de vitória, ressoando assim em nossos ouvidos: Eu venci, eu passei, eu voei, e hoje eu sou a saudade, que busca em você tudo que se foi para lhe ensinar a melhor maneira de ser.
Sinto saudade de minha antiga escola, pela qual passei, sinto falta do cursinho, no qual conheci, sinto falta de antigos amigos, mas eles sempre estarão comigo, tenho saudade de mim, de ter comigo mesma, de ser mais eu mesma, enfim é carnaval mascararei o mundo, pois eu o quero só meu desta vez e sei que não falharei, e terei saudade disso, um dia quem sabe, pois o mundo gira, as palavras passam e o ciclo nunca acaba...
19 de fev. de 2010
17 de dez. de 2009
Ao assistir algo ouvi: Eu cheguei e a busquei, mas ela não estava lá. Como sempre.
Talvez por vezes pensemos isso da felicidade, como se ela fosse um objeto animado que brinca de achar e esconder conosco, de forma que raramente, quando a buscamos, conseguimos encontra-la,mas quando menos esperamos, ela vem ao nosso encontro.
Certamente as pessoas buscam ser felizes e passam em suas vidas por diversos buracos negros suavemente apelidados por nós de "fases ruins", na minha opinião não são as fases que estão ruins, mas nós que estamos, cegos e surdos, perdendo a sensibilidade, sem enxergar que a felicidade está ao nosso lado gritando por atenção. Será que por vezes a felicidade não se encontra lá, ou será que nós não encontramos a felicidade, porque talvez ela não esteja onde esperamos e provavelmente é necessário se desapegar de precedentes.
A despretensão mostra-se tão distante, mas tão necessária, o que importa é a alma, o envolvimento, a herança caseira e familiar e não aquela receita pronta retirada da prateleira do mercado.
As vezes é preciso não ser para descobrir o que se é de verdade.
21 de nov. de 2009
Wow, depois de alguns meses obscuros sem lembrar do blog decidi por ventura abri-lo, exclui-lo ou qualquer coisa que me lembrasse de como era feliz e não sabia, porém como dizem deve-se estudar o passado para fazer um futuro melhor, verdade ou não, descobri hoje que a história se repete e que sempre existe um recomeço, todos os dias um novo sol, um novo sorriso, uma nova lágrima. Metáfora curiosa uma que temos desde a infância, quando erramos viramos a página e tentamos outra vez, e assim de acertos e erros fomos nos construindo e então ao olharmos para trás podemos ver que é fútil dizer incerto se cada um sabe o que quer, ler o Varal me fez entender o que acontece, afinal é preciso se perder para se encontrar.
"O amor começa aqui, no contrário que há em mim."
